sexta-feira, 30 de janeiro de 2009



O MUNDO DE SOFIA

Professor: Ciro Domingos Rodrigues

Filosofia e Ética


O Mundo de Sofia é um livro que encanta vários tipos de leitores. É um best-seller que continua a ser lido por milhares de pessoas, principalmente, por jovens.
Jostein Gaardner, professor de filosofia, conseguiu de forma original desenvolver uma aventura cheia de reflexões e perguntas através da história da filosofia desde o princípio dos tempos.
O objetivo do livro, não é relatar ao leitor a evolução da filosofia ao longo do tempo, mas fazer com que o leitor não se torne indiferente àquilo que o rodeia. Isto é conseguido através das respostas dos grandes filósofos às questões que sempre afligiram o mundo.
“A capacidade de nos surpreendermos é a única coisa de que precisamos para nos tornarmos filósofos(...) E tens que te decidir, Sofia: és uma criança que ainda não se habituou ao mundo? És uma filósofa que pode jurar que isso nunca lhe acontecerá? Não Quero que tu pertenças à categoria dos apáticos e dos indiferentes. Quero que vivas a tua vida de forma consciente.”
“Quem és tu?”, “De onde vem o mundo?” “Haverá uma vontade e um sentido por detrás daquilo que acontece?”, estas são algumas das perguntas colocadas a Sofia durante aquilo que se pode chamar “curso de filosofia.” Este curso foi oferecido a Sofia por uma pessoa que ela não conhecia, mas que acabou por se tornar rapidamente num grande amigo. Através dele, Sofia viaja até 600 a.C., onde ela encontra os primeiros filósofos. É através do seu professor de filosofia que conhece Sócrates, Aristóteles, Descartes, Spinoza, Kant, Hegel, Marx, Freud entre outros.
A história de Sofia e Alberto (o professor) vai além. Ao mesmo tempo que vai desenvolvendo o seu curso de filosofia, as duas personagens vão-se aperfeiçoando da existência de outra realidade para além daquela em que vivem.
O Mundo de Sofia é uma história composta de muitas outras, que nos faz pensar se não seremos também personagens duma história que um dia alguém escreveu. Nesta perspectiva Jostein faz aparecer na mesma realidade de Sofia personagens como Capuchinho Vermelho, Aladino ou o João Ratão todas personagens criadas por alguém que lhe era superior e que lhes restringia a uma simples história infantil. Após serem criadas, todas são obrigadas a viver num plano de existência paralela. E foi assim que aconteceu com Sofia e Alberto, que na verdade não passam de duas personagens duma aventura na filosofia.

A ARTE DO DIÁLOGO

O ponto central de toda a atuação de Sócrates como filósofo estava no fato de que ele não queria propriamente ensinar as pessoas. Para tanto, em suas conversas, Sócrates dava a impressão de ele próprio querer aprender com seu interlocutor. Ao “ensinar”, ele não assumia a posição de um professor tradicional. Ao contrário, ele dialogava, discutia.
MaS Sócrates não teria se tornado um filósofo famoso se apenas tivesse prestado atenção ao que os outros diziam. E é claro que também não teria sido condenado à morte por causa disso. Geralmente, no começo de uma conversa, só fazia perguntas, como se não soubesse de nada. Durante a conversa freqüentemente , conseguia levar seu interlocutor a ver pontos fracos de suas próprias reflexões. Uma vez pressionado contra a parede, o interlocutor acabava reconhecendo o que estava certo e o que estava errado.
Dizem que a mãe de Sócrates era parteira, e o próprio Sócrates costumava comparar a atividade que exercia com a de uma parteira. Não é a parteira quem dá a luz ao bebê? Ela só fica por perto para ajudar durante o parto.
Sócrates achava, portanto, que sua tarefa era ajudar as pessoas a “parir” uma opinião própria, mais acertada, pois o verdadeiro tem de vir de dentro e não ser obtido “espremendo-se” os outros. Só o conhecimento que vem de dentro é capaz de revelar o verdadeiro discernimento.
Deixe-me explicar melhor: a capacidade de dar à luz é uma característica natural. Da mesma forma, todas as pessoas podem entender as verdades filosóficas, bastando para isto usar a sua razão. Quando uma pessoa “toma juízo”, ela simplesmente traz para fora algo que já está dentro de si.
E justamente porque fingia que não sabia de nada, Sócrates forçava as pessoas a usar a razão. Era capaz de se fingir ignorante, ou de mostrar-se mais tolo do que realmente era. Chamamos isto de ironia socrática. Foi assim que ele conseguiu expor as fraquezas do pensamento doas atenienses. E isto podia acontecer bem no meio da praça do mercado, no meio de toda a gente. Um encontro com Sócrates podia significar expor-se ao ridículo, ao riso do grande público.
Não é de se espantar, portanto, que ele incomodasse e irritasse muitas pessoas, sobretudo os que detinham poder na sociedade.
Sócrates dizia que Atenas era como uma égua preguiçosa e ele um mosquito que lhe picava o flanco para mostrar-lhe que ela ainda estava viva.
( O que fazemos com os mosquitos, Sofia? Você pode me dizer?)

(IN.: O Mundo de Sofia)


A ÉTICA E A FILOSOFIA


Segundo Paulo Ghiraldelelli Jr, Ética e Moral não são a mesma coisa. A moral explicita-se através de enunciados que dão valor a certas condutas, aprovando-as ou rejeitando-as.
A ética é composta de enunciados que são gerados em uma investigação a respeito da validade ou não dos enunciados morais. A ética é, por assim dizer, uma filosofia moral.
A filosofia, como nós ocidentais a entendemos, surgiu com Sócrates e os Sofistas.
Todas as sociedades possuem uma moral, ou várias. Entretanto, nem sempre uma filosofia moral, que dizer uma discussão, em um plano filosófico, a respeito da moral vigente e das morais alternativas e/ou concorrentes.
Antes de Sócrates, as perguntas da filosofia eram de ordem cosmológica e/ou ontológica.
Cosmológicas buscavam uma substância natural ou espiritual.
Sócrates e os sofistas colocaram a conduta humana no centro dos debates dos homens cultos. Desde então, a filosofia ocidental não voltou mais a ser somente cosmologia e ontologia, passou a debater sobre ética, moral e política.
Hoje, frente a diversas situações que afligem a humanidade, são longas as discussões sobre o que é moral, e o que é ético. Tanto que, a ética é um dos temas transversais propostos nos Parâmetros Curriculares Nacionais(PCN/MEC), refletindo a preocupação com tal questão e busca na escola suporte para que se discuta a crise de valores por assim dizer desde cedo com os alunos.
O que se quer é incentivar a autonomia na constituição de valores de cada aluno, ajudando-o a se posicionar nas relações sociais dentro da escola e da comunidade como um todo. São quatro as temáticas principais: respeito mútuo, justiça, diálogo e solidariedade.
Questiona-se na escola o que significa ser educador frente as constantes mudanças das políticas educacionais? O que seria necessário para que o educador possa desempenhar o seu papel?
Terezinha Azerêdo Rios, discute a competência do educador.( Competência e Utopia: Prática profissional e projeto – p. 69 –71 - Ética e Competência). Afirma que o educador deve ser competente e para isto terá que ser exigente.
O educador exigente não se contentará com pouco, nem com o fácil.
Continua afirmando a autora. Sabe-se que existe várias dificuldades e limites para o trabalho do professor, mas isto não deve gerar imobilismo. Será necessário repensar a prática pedagógica. Pensar no que é possível fazer na escola para superar os problemas. Neste momento ocorre “a contribuição” da filosofia para a educação, da reflexão crítica, não como norteadora, mas como esclarecedora, em busca de compreensão”
O questionamento da filosofia será quanto à prática educativa: que é educação? Para quê? Para quem? Por quê?
São questões que devem estar presentes no dia-a-dia dos professores e alunos para resgatar o sentido do que é educação (educere), sendo condição para que ocorra a “realização” dos indivíduos.
Para que isto ocorra é preciso deixar de lado velhas concepções de realizações idealísticas. É necessário pensar na importância da atuação do profissional, pois o professor é o intermediário para a aprendizagem do aluno e a realidade. Só através do conhecimento o aluno poderá atuar e transformar-se. O que não se deve ter é uma concepção ingênua com mudanças radicais.
No ensino regular colocar ética como disciplina só vai fragmentar cada vez mais, pois não estará relacionada aos aspectos da vida dos alunos. As temáticas relativas a ética poderão ser vistas de forma transversal sem abrir mão dos conteúdos tradicionais(Ulisses F. Araújo, p.16).


REFERÊNCIAS

Araújo, Ulisses F. e Aquino, Júlio Groppa. Os Direitos Humanos na Sala de Aula. A Ètica como Tema Transversal. São Paulo: Moderna, 2002.

Rios, Terezinha Azerêdo. Ética e Competência. 3 ed – São Paulo, 1995.

Site de pesquisa – Google.

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